terça-feira, 28 de julho de 2009

Haru e Pedro, Povo Kuntanawa

Estive ontem de noite numa pequena palestra com o pessoal que acabou de chegar da Groelândia onde ocorreu a Cerimônia do Fogo Sagrado, que foi conduzida pelo xamã esquimó Uncle, um Ser que dedica a sua vida para a cura do planeta.

Minha amiga Lucia também participou da viagem juntamente com dois índios brasileiros, o Pedro e o Haru, pai e filho, que são do Povo Kuntanawa, do Acre. O Haru acabou de ser reconhecido como Embaixador da Paz na Europa.

No caminho para lá fui no carro da Lúcia com os dois, e conversando com o Haru contei que tenho um cocar da tribo Kariri Xocó que estimo muito e ele começou me contar que tem pesquisado com seus ancestrais a importância de não vender cocares. Cada cocar é um instrumento profundo de conexão com o Grande Espírito, assim como nosso cabelo faz o papel de antena o cocar também o faz. É algo muito, muito sagrado. O espírito das aves está lá. E o ser humano, até o Índio, está perdendo a conexão com o sagrado.

Durante a palestra uma coisa me chamou a atenção é a necessidade que nós “urbanóides espiritualizados” temos de falar e falar e falar... O menino índio só baixava a cabeça em silêncio e respeito pelo que estávamos dizendo. Conflitos, divergência de opiniões, egos inflados, nada que tivesse uma real importância. O que importava realmente ali era escutar o que eles tinham a dizer, afinal quantas vezes na vida de um paulistano isso acontece, estar em uma sala com 10 caras pálidas e dois índios com cocares maravilhosos, com uma simplicidade avassaladora e com o coração do tamanho do mundo?

Fiz uma pergunta a eles que foi, "o que vocês sentiram na Groelândia?" - (Detalhe - a calota polar derrete 20cm por dia). O que o Haru narrou então quase me fez chorar, ele diz que as pessoas quando olham a Terra não sentem a Terra. Ele sentiu a Terra gemendo de dor, por tantos estupros (ele usou este termo) que vem sofrendo...

E que, apesar do seu povo ter sido quase dizimado em 1911 pelo povo que queria extrair borracha no Acre, a sua 'vingança' é levar o Amor e a Paz para o Planeta.

Uma das coisas muito lindas foi quando eles falaram que para o Povo Indígena a palavra tem muito poder. E que ele gosta muito de escutar a história das pessoas, muito mais do que ler livros. "Se você quiser me dar um presente, não me dê um livro. Conte-me a sua história porque eu vou escutá-la e registrá-la dentro de mim."

Foi uma noite muito agradável, uma experiência de beleza e verdade. Valeu Haru, valeu Pedro, vocês tocaram o meu coração.

Imagem do site http://mais.cultura.gov.br

3 comentários:

  1. Oi Cris
    Que beleza. Voce retratou muito bem a reuinião de ontem e a beleza destes dois seres humanos. Haru, com 27 anos é lider de 11 etnias e tem a sabedoria de uma ancião com a força de um jovem.
    Sabias palavras.

    Ahowwwwwwwwwwwwwww
    Cyro

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  2. Grata Cyro por proporcionar o encontro no seu espaço mega especial!
    Ahow, Axé, Saravá
    Cris

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