Estive ontem de noite numa pequena palestra com o pessoal que acabou de chegar da Groelândia onde ocorreu a Cerimônia do Fogo Sagrado, que foi conduzida pelo xamã esquimó Uncle, um Ser que dedica a sua vida para a cura do planeta.Minha amiga Lucia também participou da viagem juntamente com dois índios brasileiros, o Pedro e o Haru, pai e filho, que são do Povo Kuntanawa, do Acre. O Haru acabou de ser reconhecido como Embaixador da Paz na Europa.
No caminho para lá fui no carro da Lúcia com os dois, e conversando com o Haru contei que tenho um cocar da tribo Kariri Xocó que estimo muito e ele começou me contar que tem pesquisado com seus ancestrais a importância de não vender cocares. Cada cocar é um instrumento profundo de conexão com o Grande Espírito, assim como nosso cabelo faz o papel de antena o cocar também o faz. É algo muito, muito sagrado. O espírito das aves está lá. E o ser humano, até o Índio, está perdendo a conexão com o sagrado.
Durante a palestra uma coisa me chamou a atenção é a necessidade que nós “urbanóides espiritualizados” temos de falar e falar e falar... O menino índio só baixava a cabeça em silêncio e respeito pelo que estávamos dizendo. Conflitos, divergência de opiniões, egos inflados, nada que tivesse uma real importância. O que importava realmente ali era escutar o que eles tinham a dizer, afinal quantas vezes na vida de um paulistano isso acontece, estar em uma sala com 10 caras pálidas e dois índios com cocares maravilhosos, com uma simplicidade avassaladora e com o coração do tamanho do mundo?
Fiz uma pergunta a eles que foi, "o que vocês sentiram na Groelândia?" - (Detalhe - a calota polar derrete 20cm por dia). O que o Haru narrou então quase me fez chorar, ele diz que as pessoas quando olham a Terra não sentem a Terra. Ele sentiu a Terra gemendo de dor, por tantos estupros (ele usou este termo) que vem sofrendo...
E que, apesar do seu povo ter sido quase dizimado em 1911 pelo povo que queria extrair borracha no Acre, a sua 'vingança' é levar o Amor e a Paz para o Planeta.
Uma das coisas muito lindas foi quando eles falaram que para o Povo Indígena a palavra tem muito poder. E que ele gosta muito de escutar a história das pessoas, muito mais do que ler livros. "Se você quiser me dar um presente, não me dê um livro. Conte-me a sua história porque eu vou escutá-la e registrá-la dentro de mim."
Foi uma noite muito agradável, uma experiência de beleza e verdade. Valeu Haru, valeu Pedro, vocês tocaram o meu coração.
Imagem do site http://mais.cultura.gov.br
Oi Cris
ResponderExcluirQue beleza. Voce retratou muito bem a reuinião de ontem e a beleza destes dois seres humanos. Haru, com 27 anos é lider de 11 etnias e tem a sabedoria de uma ancião com a força de um jovem.
Sabias palavras.
Ahowwwwwwwwwwwwwww
Cyro
Grata Cyro por proporcionar o encontro no seu espaço mega especial!
ResponderExcluirAhow, Axé, Saravá
Cris
Cris
ResponderExcluirAdorei esta mensagem
Gustavo