domingo, 26 de dezembro de 2010

A Descoberta Suprema


Se quisermos progredir integralmente, devemos erigir no nosso ser consciente uma síntese mental forte e pura, que nos possa servir de protecção contra as tentações de fora, de ponto de referência para nos preservar de qualquer desvio, de farol para iluminar a nossa rota sobre o oceano movimentado da vida.
Cada um deve construir esta síntese mental segundo as suas próprias tendências, as suas próprias afinidades, as suas próprias aspirações.Mas se quisermos que ela seja realmente viva e luminosa, ela deverá ter no seu centro a ideia que é a representação intelectual simbólica Daquilo que está no centro do nosso ser, Daquilo que é a nossa Vida e a nossa Luz.
Esta ideia, expressa em palavras sublimes, tem sido ensinada sob diversas formas, por todos os grandes Instrutores, através de todos os países e de todos os tempos:
"O Eu de cada um e o Grande Universo são um só".
"Nós e a nossa origem, nós e o nosso Deus somos um".
E esta unidade deve ser entendida não como uma simples relação de união mais ou menos estreita e íntima, mas como uma identidade verdadeira.
Assim, quando o homem que procura o Divino tenta subir gradualmente até ao inacessível, ele esquece-se que todo o seu conhecimento e toda a sua intuição não são suficientes para ele fazer um passo neste infinito; e não sabe que o que ele quer alcançar, o que ele crê tão longe de si, está em si mesmo.
E como poderia ele saber algo da origem das coisas enquanto não tomar consciência desta origem em si mesmo?
É compreendendo-se a si mesmo, aprendendo a conhecer-se, que ele pode fazer a descoberta suprema e, maravilhado, exclamar como o patriarca de que fala a Bíblia:
"É aqui a casa de Deus e eu não o sabia".
É por isso que se deve expressar o pensamento sublime, criador dos mundos materiais, fazer todos escutarem a palavra que enche os céus e a terra:
"Estou em todas as coisas e em cada ser".
Quando todos souberem disso, o dia prometido das grandes transfigurações estará próximo.
Quando em cada átomo da matéria, o homem reconhecer o pensamento de Deus que mora nele, quando, em cada criatura viva, perceber o esboço de um gesto de Deus, quando em cada homem seu irmão, for capaz de ver Deus, então a aurora nascerá, expulsando as trevas, a mentira, a ignorância, as falhas e as dores que oprimem a natureza inteira. Pois, "a natureza inteira sofre e geme aguardando que os Filhos de Deus se revelem".
Este é o pensamento central que resume todos os outros e que deveria estar sempre presente na nossa memória, como o sol iluminando toda a nossa vida.
Se prosseguirmos no nosso caminho, levando no nosso coração este pensamento como a jóia mais rara, o tesouro mais precioso, se deixarmos que ele faça a sua obra de iluminação, de transfiguração em nós, saberemos que ele está vivo no centro de cada ser e de cada coisa e nele sentiremos esta maravilhosa unidade do universo.

Compreenderemos então como são fúteis e infantis as nossas pobres insatisfações, as nossa brigas tolas, as nossas paixões mesquinhas, as nossa indignações cegas. Veremos os nossos pequenos problemas dissolverem-se, veremos cair os últimos cerceamentos da nossa personalidade limitada, do nosso egoísmo não inteligente.
Mas como muda o ponto de vista quando se atinge esta consciência profunda! Como a compreensão se amplia, como a benevolência cresce!
A este respeito diz um sábio: "Gostaria que cada um de nós chegasse a perceber o Deus interior que reside mesmo no mais vil dos seres humanos; em vez de condená-lo, diríamos: "Surge, Resplandecente Ser, tu que és sempre puro, que não conheces nem nascimento nem morte, surge todo Poderoso e manifesta a tua natureza" ".
Concordemos com estas belas palavras e veremos tudo se transformar ao redor de nós como por milagre.
Porque a Divindade interior não se impõe, não reclama, não ameaça; ela oferece-se, ela dá-se, ela esconde-se, ela esquece-se no seio dos seres e das coisa; ela não censura, não julga nem amaldiçoa ou condena, mas está a trabalhar sem cessar para aperfeiçoar sem constrangimento, consertar sem reprovações, para estimular sem impaciência, para enriquecer cada um de todos os tesouros que ele possa receber; ela é a mãe cujo amor dá existência e nutre, guarda e protege, aconselha e consola; ela compreende tudo, por isso suporta tudo, desculpa e perdoa tudo, espera e prepara tudo; carregando tudo em si, não possui nada que não seja de todos e porque reina sobre todos ela é serva de todos.
Eis porque aqueles que pequenos ou grandes, querem ser reis com ela e deuses nela, tornam-se como ela, não déspotas, mas servidores entre os seus irmãos.
Para chegar a esta total consagração de nós mesmos, todos os meios são bons, todos os métodos têm o seu valor. A única coisa realmente indispensável é a perseverança na vontade de atingir o alvo. Pois assim todos os estudos que fizermos, todos os actos que cumprirmos, todos os seres humanos que encontrarmos, virão nos trazer uma indicação, uma ajuda, uma luz para nos guiar pelo Caminho.
Antes de terminar, para aqueles que já fizeram muitos esforços infrutíferos em aparência, para aqueles que conheceram as ciladas do Caminho e que experimentaram a própria fraqueza, para aqueles que correm o risco de perder a confiança e a coragem, acrescentarei mais algumas palavras.
Destinadas a despertar a esperança no coração dos que sofrem, elas foram escritas por um batalhador espiritual no momento em que todas as provações caíam sobre si, como chamas purificadoras:
Tu que estais cansado, desanimado, magoado, tu que cais, que te achas talvez vencido, escuta a voz de um amigo; ele conhece as tuas tristezas, compartilha delas, sofreu como tu os males da terra; como tu, ele atravessou desertos sob o fardo do dia, ele sabe o que são a sede e a fome, a solidão e o abandono e o mais cruel de tudo, a miséria do coração.
Ah! Ele sabe também o que são as horas de dúvidas, conhece os erros, as falhas, os reveses, todas as fraquezas.
Mas ele te diz: Coragem! Escuta a lição que o sol nascente traz cada manhã à terra, nos seus primeiros raios. É uma lição de esperança, uma mensagem de consolo.
Tu que choras, tu que sofres, tu que tremes, sem ousar prever o fim dos teus males, o modo de escapar das tuas dores, olha: não há noite sem aurora e a alvorada prepara-se quando as sombras se adensam; não há nevoeiro que o sol não disperse, não há nuvem que ele não doure, não há choro que ele não seque um dia ,não há tormenta que depois não irradie o seu arco triunfal, não há neve que não derreta, nem inverno que não se transforme em primavera radiosa.
E para ti também, não há aflição que não produza o seu peso de glória, não há desespero que não possa ser transformado em alegria, derrota em vitória, queda em ascensão mais alta, solidão em lar de vida, desacordo em harmonia; não há, afinal, fraqueza infinita que não se possa transformar em força.
Escuta, meu filho, que hoje te sentes tão alquebrado, tão decaído talvez, que não tens nada mais para cobrir a tua miséria e alimentar o teu orgulho e contudo nunca foste tão grande!
Como está perto das culminâncias aquele que acorda nas profundezas, pois quanto mais o abismo se aprofunda, tanto mais as alturas se revelam! Não sabes tu que as forças mais sublimes das vastidões procuram os véus mais opacos da matéria para se vestir?
Se a provação ou a falta, te deitou ao chão, se te afundaste em abismos de sofrimento, não te aflijas, pois é então que a divina ternura e a suprema benção poderão te alcançar!
Porque tu passaste pelo crisol das dores purificadoras, a ti pertencem as ascensões gloriosas.
Caminhas em plena noite. Pois bem, recolhe os tesouros sem preço da noite.
Ao sol brilhante, iluminam-se os caminhos da inteligência, mas à noite, nas luminosidades brancas, encontram-se as sendas escondidas da perfeição, o segredo das riquezas espirituais.
Tu segues a via dos desnudamentos; ela conduz à plenitude.
Quando não tiveres mais nada, tudo te será dado. Pois para aqueles que são sinceros e rectos, é sempre do pior que sai o melhor.
Cada grão que se mete na terra produz mil, cada batida da asa da dor pode ser um vôo para a glória.
E quando o adversário se enfurece contra o homem, tudo o que ele faz para o aniquilar, o engrandece.
Escuta a história dos mundos, olha: o grande inimigo parece triunfar. Ele joga na noite os seres da luz e a noite enche-se de estrelas. Ele luta violentamente com a obra cósmica, quebra a harmonia, divide e subdivide-o, espalha a sua poeira aos quatro ventos do infinito e eis que esta poeira se transforma em semente dourada, fecundando o infinito e povoandoo de mundos que daí em diante gravitarão ao redor do seu centro eterno, na órbita alargada do espaço; assim, a divisão mesma produz uma unidade mais rica e mais profunda e multiplicando as superfícies do universo material, amplia o império que ela deveria destruir.

Escuta ainda: nenhum estado era mais precário do que o do homem, quando sobre a terra foi separado da sua origem divina. Acima dele, estendia-se a fronteira hostil do usurpador e nas portas do seu horizonte vigiavam carcereiros armados de espadas flamejantes. Então como ele não podia mais subir à fonte da vida, esta fonte brotou dentro dele; como não podia mais receber a luz de cima, esta luz resplandeceu no centro, dentro do seu ser; como não podia comungar com o amor transcendente, este amor fez-se holocausto e ofereceu-se escolhendo cada ser terrestre, cada ego humano para morada e para santuário.
E é assim que nesta matéria desprezada mas fecunda, desolada mas abençoada, cada átomo encerra um pensamento divino: Cada ser carrega em si o Divino Morador.
E se nada em todo o Universo é tão enfermo quanto o homem, nada também é tão divino.
Na verdade, na verdade, na humilhação se encontra o berço da glória!

A Mãe

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Conto de Natal: O pinheiro de St. Martin, por Paulo Coelho


Na véspera de Natal, o padre da igreja no pequeno vilarejo de St. Martin, nos Pirineus franceses, se preparava para celebrar a missa, quando começou a sentir um perfume delicioso. Era inverno, há muito as flores tinham desaparecido – mas ali estava aquele aroma agradável, como se a primavera tivesse surgido fora de tempo.

Intrigado, ele saiu da igreja para buscar a origem de tal maravilha, e foi dar com um rapaz sentado na frente da porta da escola. Ao seu lado, estava uma espécie de árvore de Natal dourada.

- Mas que beleza de árvore! – disse o pároco. – Ela parece ter tocado o céu, já que irradia uma essência divina! E é feita de ouro puro! Onde foi que a conseguiu?

O jovem não demonstrou muita alegria com o comentário do padre.

- É verdade que isso que carrego comigo foi ficando cada vez mais pesado à medida que eu andava, suas folhas ficaram duras. Mas não pode ser ouro, e estou com medo da reação de meus pais.

O rapaz contou sua história:

- Tinha saído hoje de manhã para ir até a grande cidade de Tarbes, com o dinheiro que minha mãe havia me dado para comprar uma bela árvore de Natal. Acontece que, ao cruzar um povoado, vi uma senhora de idade, solitária, sem nenhuma família com quem comemorar a grande festa da Cristandade. Dei-lhe algum dinheiro para a ceia, pois estava certo que poderia conseguir um desconto na minha compra.

“Ao chegar em Tarbes, passei diante da grande prisão, e havia uma série de pessoas esperando a hora da visita. Todas estavam tristes, já que passariam a noite longe de seus entes queridos. Escutei algumas delas comentando que sequer tinham conseguido comprar um pedaço de torta. Na mesma hora, movido pelo romantismo de gente da minha idade, decidi que iria dividir meu dinheiro com aquelas pessoas, que estavam precisando mais que eu. Guardaria apenas uma ínfima quantia para o almoço; o florista é amigo de nossa família, com certeza me daria a árvore, e eu poderia trabalhar para ele na semana seguinte, pagando assim a minha dívida”.

“Entretanto, ao chegar ao mercado, soube que o florista que conhecia não tinha ido trabalhar. Tentei de todas as maneiras conseguir alguém que me emprestasse dinheiro para comprar a árvore em outro lugar, mas foi em vão”.

“Convenci a mim mesmo que conseguiria pensar melhor o que fazer, se estivesse com o estômago cheio. Quando me aproximei de um bar, um menino que parecia estrangeiro, perguntou se eu podia lhe dar alguma moeda, já que não comia há dois dias. Como imaginei que certa vez o menino Jesus deve ter passado fome, entreguei-lhe o pouco dinheiro que me sobrava, e voltei para casa. No caminho de volta, quebrei um galho de um pinheiro; tentei ajeita-lo, corta-lo, mas ele foi ficando duro como se feito de metal, e está longe de ser a árvore de Natal que minha mãe espera”.

- Meu caro – disse o padre – o perfume desta árvore não deixa dúvidas de que ela foi tocada pelos Céus. Deixe-me contar o resto desta sua história:

“Assim que você deixou a senhora, ela imediatamente pediu à Virgem Maria, uma mãe como ela, que lhe devolvesse esta benção inesperada. Os parentes dos presos se convenceram que tinham encontrado um anjo, e rezaram agradecendo aos anjos pelas tortas que foram compradas. O menino que você encontrou, agradeceu a Jesus por ter sua fome saciada”.

“A Virgem, os anjos, e Jesus escutaram a prece daqueles que tinham sido ajudados. Quando você quebrou o galho do pinheiro, a Virgem colocou nele o perfume da misericórdia. À medida que você caminhava, os anjos iam tocando suas folhas, e as transformando em ouro. Finalmente, quando tudo ficou pronto, Jesus olhou o trabalho, abençoou-o, e a partir de agora, quem tocar esta árvore de Natal, terá seus pecados perdoados e seus desejos atendidos”.

E assim foi. Conta a lenda que o pinheiro sagrado ainda se encontra em St. Martin; mas sua força é tão grande que, todos aqueles que ajudam seu próximo na véspera de Natal, não importa quão longe estejam do pequeno vilarejo dos Pirineus, são abençoados por ele.

(inspirado em uma história hassídica)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Aos queridos!


Dizem os cientistas que o ser humano utiliza em média apenas 4% do seu potencial cerebral.... Einstein usava 10%, Jesus e os Grandes Mestres, 100%.

que em 2011 sejamos capazes de expandir cada vez mais o nosso potencial e seguir mais o exemplo do Mestre que se tornou UM com Deus, usando assim 100% de sua capacidade cerebral.

Gosto muito da expressão Presença de Espírito, pois com ela colocamos em ação múltiplas características divinas ao mesmo tempo....

que em 2011 tenhamos Presença de Espírito:

para enxergar além das aparências,
para amar além das limitações do corpo emocional,
para sermos Reais e Verdadeiros em todas as ocasiões,
para vencermos barreiras internas e externas,
para transformarmos crises em oportunidades de crescimento ,
e para fazermos a nossa LUZ brilhar em todos os níveis

E que com Presença de Espírito possamos nos tornar, cada vez mais, Seres que Abençoam!

com amor e gratidão,

Cris Boog

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

FAMÍLIA, por Francisco Azevedo


Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes.
Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo.
Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um.
Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de
desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio.
Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e
aquele fastio.
Mas a vida, (azeitona verde no palito), sempre arruma um jeito de nos
entusiasmar e abrir o apetite.
O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares.
Súbito, feito milagre, a família está servida.
Fulana sai a mais inteligente de todas.
Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade.
Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo.
Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante.
Aquele que surpreendeu e foi morar longe.
Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer
companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo.
Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida.
Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados.
Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola.
Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona.
E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.
Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco.
Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm
da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família
muito mais colorida, interessante e saborosa.
Atenção também com os pesos e as medidas.
Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre.
Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado,
muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher.
Saber meter a colher é verdadeira arte.
Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque
meteu a colher na hora errada.
O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita.
Bobagem. Tudo ilusão. Não existe "Família à Oswaldo Aranha", "Família à Rossini", Família à "Belle Meunière" ou "Família ao Molho Pardo", em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é "à Moda da Casa".
E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.
Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas.
Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de "Família
Diet", que você suporta só para manter a linha.
Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente,
quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa.

A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe
no dia-a -dia.
A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que
ficou no pedaço de papel.
Muita coisa se perde na lembrança, principalmente na cabeça de um velho já
meio caduco como eu.
O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por
pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer.
Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas.
Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio
ou no barro. Aproveite ao máximo.
Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Destralhar


-Bom dia, como tá a alegria? Diz dona Francisca, minha faxineira rezadeira, que acaba de chegar.

-Antes de dar uma benzida na casa, deixa eu te dar um abraço que preste!

E ela me apertou.

Na matemática de dona Francisca, quatro abraços por dia dão para sobreviver, oito ajudam a nos manter vivos, 12 fazem a vida prosperar. Falando nisso, vida nenhuma prospera se estiver pesada e intoxicada. Já ouviu falar em toxinas da casa? Pois são:

- objetos que você não usa

- roupas que você não gosta ou não usa a um ano

- coisas feias, quebradas, lascadas, rachadas

- velhas cartas, bilhetes

- plantas mortas ou doentes

- recibos, jornais, revistas antigas

- remédios vencidos

- meias velhas, furadas

- sapatos estragados...



Ufa! Que peso!



O “destralhamento” é a forma mais rápidas de transformar a vida e ajuda em outras eventuais terapias.

Com o destralhamento:

- A saúde melhora

- A criatividade cresce

- Os relacionamentos se aprimoram...



É comum se sentir: Cansado, deprimido, desanimado, em um ambiente cheio de entulho, pois existem fios invisíveis que nos ligam à tudo aquilo que possuímos.



Outros possíveis efeitos do acúmulo e da bagunça: Sentir-se desorganizado, fracassado, limitado, aumento de peso, apegado ao passado...



- No porão, no sótão, as tralhas viram sobrecarga

- Na entrada, restringem o fluxo da vida;

- Empilhadas no chão, nos puxam para baixo;

- Acima de nós, são dores de cabeça;

- Sob a cama, poluem o sono.



- Oito horas, para trabalhar

- Oito horas, para descansar

- Oito horas, para se cuidar



Perguntinhas úteis na hora de destralhar-se:

- Por que estou guardando isso?

- Será que tem a ver comigo hoje ?

- O que vou sentir ao liberar isto?



.. Vá fazendo pilhas separadas.

- Para doar!

- Para jogar fora!



Para destralhar mais:

- livre-se de barulhos,

- das luzes fortes,

- das cores berrantes,

- dos odores químicos,

- dos revestimentos sintéticos...

- libere mágoas,

- pare de fumar,

- diminua o uso da carne,

- termine projetos inacabados.






“Se deixas sair o que está em ti, o que deixas sair te salvará. Se não deixas sair o que está em ti, o que não deixas sair te destruirá".

evangelho de Tomé.



"Acumular nos dá a sensação de permanência, apesar de a vida ser impermanente".

sabedoria oriental.



As frutas nascem azedas e, no pé, vão ficando docinhas com o tempo. A gente deveria de ser assim.

(autor desconhecido)

domingo, 12 de dezembro de 2010

UM FRAGMENTO DO BOLETIM DO SURF DA SOLARA PARA DEZEMBRO DE 2010


Durante a singular Ativação do Nono Portal em 25 de outubro, finalmente foi feita a conexão com o nosso novo sistema de coordenadas. Estas novas coordenadas estão alinhadas com um paradigma totalmente novo. Quando nos conectamos com as nossas novas coordenadas, elas iniciam grandes ondas de mudanças em todos os sentidos, muito parecido com fileiras e mais fileiras de dominós que vão muito além do horizonte mais distante, e que agora estão caindo um por um. Essas ondas estão ainda em expansão, trazendo enormes e profundas mudanças no cerne de todos os aspectos de nossas vidas.

Desde então, a ênfase tem sido em fazer os ajustes necessários, internos e externos, para nos alinharmos completamente com nossas novas coordenadas. Ao mesmo tempo, estamos nos tornando cada vez mais desconectados dos últimos vestígios das nossas antigas coordenadas. A porta para o nosso antigo modo de ser e para as velhas formas de fazer as coisas está se fechando, enquanto estamos sendo empurrados em direção ao ponto de entrada para um magnífico mundo novo.

Dezembro tem uma forte ênfase em nos posicionar para estarmos preparados para o monumental ano de 2011. Durante este mês vamos fazer muitos ajustes externos necessários para alinhar-nos com as nossas novas coordenadas. Quanto mais conseguirmos nos colocar nas posições corretas para entrar no Novo Ano, mais fácil ele será.

Estamos todos em situações que requerem certos elementos para entrar em sua posição correta antes dos avanços necessários poderem acontecer. Todas as rodas, engrenagens e alavancas devem estar em seu devido lugar antes que as coisas possam encaixar perfeitamente na posição. Durante este tempo, não podemos ficar impacientes ou pensar que estamos fazendo algo errado. As rodas estão girando agora, elas estão girando, mesmo quando parece que nada está avançando. E nós, como Seres Verdadeiros, sabemos disso.

Este é um mês é um mês cheio de transformações profundas. Em dezembro, vamos continuar a ter ondas ocasionais de tristeza profunda, ainda teremos momentos em que nos sentimos transparentes e frágeis. Nós nos sentimos absolutamente desnudados até a raíz e não há maneira de esconder isso. Ao mesmo tempo, estamos começando a nos sentir super verdadeiros. Então aqui estamos ultra transparentes e super verdadeiros, depositados em um mundo novo em que os mapas antigos já não são precisos ou reais. E este é um mundo onde os mapas novos e precisos ainda não existem. Quando buscamos ajuda nos locais onde estávamos habituados, ela simplesmentes não está mais lá. E, no entanto, quando menos esperamos e quando mais precisamos dela, a ajuda milagrosamente aparece!

É um mês super poderoso cheio de ação e de mudanças no cerne que trazem grandes mudanças externas. Às vezes, as coisas vão acelerar tanto que ele vamos sentir como se estivéssemos sendo atirados por um canhão. Às vezes, avanços enormes irão aparecer no último minuto.

Durante todo o mês, os ventos da mudança trarão o inesperado, que continuará a mandar-nos para fora de nossas antigas posições. Nós continuamente descobriremos que nossas habilidades e talentos antigos não podem mais ser aplicados da mesma forma, como antes. Todos eles precisam ser ajustados. Já nos alinhamos profundamente em algumas áreas, mas muitas outras áreas ainda necessitam muitos ajustes. Muitas coisas simplesmente não encaixam mais. Muitas coisas já não são importantes para nós. Muitos elementos familiares do nosso ambiente habitual não estão presentes mais - ou porque nós deixamos o ambiente antigo (como eu fiz), ou porque não podem se relacionar com o ambiente antigo como um Ser Verdadeiro.

Da última semana de dezembro até o dia 04 de janeiro um portal enorme para as nossas Novas Vidas Verdadeiras será aberto. Tudo o que está acontecendo este mês está nos colocando nas nossas posições corretas. Em 2011, um novo mundo surgirá ....

O Boletim do Surf para Dezembro de 2010 completo da Solara e as Atualizações Semanais estão disponíveis através do service de assinaturas em Inglês, Alemão, Húngaro, Português, Russo e Espanhol.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Por Amor


SINTONIA SEMANAL DA CABALA - 5 A 11 DE DEZEMBRO DE 2010
por Yehuda Berg

A maioria de nós, num momento ou outro, já sofreu por amor. Tivemos nossos corações partidos, ou ficamos dependentes do amor, ou simplesmente não fomos capazes de senti-lo. Mas não importa o que admitamos para nós mesmos, não importa como nossos corações tenham endurecido algumas vezes, não podemos fugir da verdade – precisamos receber amor e precisamos dar amor. Ou, como escreveu o poeta D.H. Lawrence: “Em cada coisa viva existe o desejo por amor”.

A Kabbalah nos fornece ensinamentos importantes e belos sobre o amor:

1. A capacidade de amar e a qualidade do nosso amor é uma dádiva de Deus.

2. Quanto mais usamos o nosso amor positivamente, compartilhando, mais amor recebemos para compartilhar. Por outro lado, se usamos nosso amor de forma negativa, para manipular ou punir, nossa capacidade de amar diminui.

Se você entender e praticar esses ensinamentos, não só aumentará a quantidade e a qualidade do amor que possui em sua vida, como também a quantidade de amor revelada no mundo.

Influenciamos os canais do amor, à medida que eles se abrem e fecham para o mundo. Quando não amamos, ou se usamos nosso amor de forma egoísta, estamos sacando do amor que se encontra disponível no mundo.

Nossas ações acontecem nesse mundo físico e seus efeitos permeiam os mundos espirituais. Quando uma ação reverbera através dos Mundos Superiores, sua ressonância se torna cada vez mais forte. Como o “efeito borboleta”, um ato aparentemente simples de compartilhar pode criar uma tremenda quantidade de Luz.

Infelizmente, porque nossos sentidos estão limitados à dimensão física, subestimamos amplamente o efeito dessas ações aparentemente menores. Nosso poder é muito maior do que nos permitimos acreditar, e o efeito das nossas ações positivas é muito maior do que jamais poderíamos imaginar.

Uma coisa é certa sobre o mundo atual: não existe suficiente amor sendo compartilhado pelas pessoas, e todos nós precisamos nos conscientizar e reconhecer que somos responsáveis por isso.

Tudo de bom,
Yehuda

domingo, 5 de dezembro de 2010

Trecho do filme O Pequeno Buda, de Bernardo Bertolucci


“Sidarta ganhou a batalha contra um exécito de demônios, através da força do seu amor e da grande compaixão que havia descoberto. E ele alcançou a grande calma que alcança quem separa-se das emoções. Ele foi além de si mesmo. Estava além da alegria e da dor...afastado do julgamento...e podia lembrar que havia sido uma menina, um golfinho, uma árvore, um macaco! Lembrou seu primeiro nascimento e os milhões depois disso. Ele podia ver além do universo.

Sidarta havia visto a extrema realidade de todas as coisas. Compreendera que todo o movimento no universo era um efeito provocado por uma causa. Sabia que não havia salvação sem a compaixão por todos os seres.

Daquele momento em diante, Sidarta foi chamado de O Buda, aquele que despertou.

Mas lembrem-se: a coisa mais importante de todas é Ter compaixão por todos os seres. É dar-se e, acima de tudo, passar adiante o conhecimento, como o Buda.”

(imagem do Blog Despertar, da amiga Kátia Bueno)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lançamento do CD - Umbanda Viva - Liturgia


LANÇAMENTO DE CD - UMBANDA VIVA!

O Babalaô Alexandre Meireles acaba de lançar o CD liturgia - Umbanda Viva, o 1º de uma coletânea que tem como objetivo registrar os rituais sagrados da nossa religião. Nesta primeira obra, abertura da gira, ponto de bater cabeça, pontos de defumação, oração aos Orixás, ponto das 7 linha da Umbanda, entre outros. Um trabalho primoroso, que tocará ainda mais os corações de Sacerdotes, Filhos de Fé, simpatizantes e estudiosos da nossa religião.

"Por que o amor? Porque é generoso, está aberto e disposto a receber as novas formas e diferenças. O espírito deste trabalho é mostrar as diversas possibilidades que só o que é feito com amor pode oferecer. Exploramos neste CD a interação entre novas musicalidades e ritmos tradicionais da Umbanda, inspirados na proposta espiritual desta religião tão entronada em nossa cultura e onde, como em uma colcha de retalhos, as diferenças se compõem formando um conjunto harmônico. Agradeço a todos, de todos os planos, que estiveram engajados na inspiração, produção e execução desta obra que tem como intenção primordial iluminar a sua alma." Babalaô Alexandre Meireles

O valor do CD é R$ 25,00 e está a venda nos endereços abaixo. A renda será revertida integralmente para a compra da sede própria da Casa de São Lázaro.

CIESL - Centro de Irradiações Espirituais São Lázaro

Av. Cupecê, 1090 - Jardim Prudência

CIELA - Centro de Irradiações Espirituais Luz das Almas

Rua das Taquaras, 225 - Vila Mascote

CIEY - Centro de Irradiações Espirituais Yara

Rua Otavio Tarquino de Souza, 1311 - sobreloja - Campo Belo

Templo de Iemanjá

Rua Martim Afonso de Souza, 833 - Bairro Aviação - Praia Grande

Templo/Escola Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca

Rua Paracatu, 220 - sala 01

Loja Axé Orixá

Rua Barão de Duprant, 65 - Santo Amaro

imagem de Letícia Matos

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